Suicídio Culposo

Perdi muita coisa, eu sei. Mas quem sabe o que teria acontecido se eu continuasse? Promessas não bastam, atitudes eu não via; quer dizer, via, mas não era algo que combinasse com o meu look. As idéias não correspondiam aos fatos, parafraseando o poeta.
Quero me apegar aos erros pra ser mais fácil desapegar dos acertos, mas que os acertos foram bons e insubstituíveis é inegável e é com isso que vou continuar; pra sempre lembrar das antigas novas sensações. dos poemas declamados e dos não ditos. das mãos, dos olhos, dos corpos sob a luz, da taquicardia, do estômago inexistente, do sangue, das músicas ouvidas e daquela quase tocada, da carne viva. do desejo, das cores, do lounge, das roupas no chão. texturas. sabores. as aquarelas. minha lua em escorpiao. das pedras, dos doces, os cafés… Ah os cafés.
Não esquecerei;
Não quero lembrar;
Sangra, arde, umidece;
Não quero esquecer;
Quero manter o foco nos erros, não nas antigas novas sensações, foco;
Quero esquecer;
Quero esquecer;
Quero querer esquecer;
Não, jamais! Quero lembrar, antes ter vivido que jamais experimentado.
Quero lembrar, de todas as antigas novas sensações quero embriagar-me nelas afogar lembrar ofegante andante amortecida;
Queria ter querido;
Pensado;
Esperado;
AGORA.NAO.DA.MAIS
É passado não volta mesmo querendo lembrar é só uma voz distante, um ré bemol na escuridão. uma dor surda e muda, cega, aleijada, meio coxa de duas pernas.
Um adeus, uma memória, dois olhos que reclamam.