Média Tarde

Ai de mim que sofro pela carne trêmula e quente de um vazio amargo palpitativo ao peito e engolidor de entranhas. Ai de mim que observo o cerco causado e concreto do vento que alumia as incertezas de uma forma mais lúdica. Ai de mim que calo sob angústias. Ai de mim que sangro cortes profundos anunciados na sede de saliva doce. Ai de mim que em noites sombrias me perco em leituras e vales escondidos. Ai de mim.

Café Amigo

            Pedi um cappuccino, bebida simples e complexa. Sabor sem igual, sem canela nem chocolate. Pura, como dizem, como minha alma. O café não vem rápido, ele tem um tempo de preparo e, o profissional que o faz, faz também valer a pena o tempo esperado. Sentada, percebo enquanto o espero, que os clientes fazem os atendentes terem superpoderes. Sabe quando você é criança e sonha em ser invisível? Então, se torne atendente de cafeteria, esse sonho será realizado, acredite. E esses super-heróis, tão atenciosos e educados passam despercebidos, mesmo eles tentando se comunicar com quem está querendo fazer o pedido. E aqui, sei, não é o primeiro, nem o único, muito menos o último lugar onde isso acontecerá. Na vida real eu escrevo contos sobre coisas que ouço no transporte público… mas bem posso começar uma nova série sobre crônicas de cafeterias. Em breve e, talvez esse seja a primeira. Agora meu café chegou, preciso do meu tempo com ele.

Retorno;

A tinta da caneta seca na ponta entre meus dedos ansiosos por escrever, minha mente flutua rápido demais de um tema pra outro. Tentando um foco, um retorno ao mundo da escrita, minha bebida esfria no copo e já intragável tomo de um gole só pra que a tortura acabe logo… Ledo engano, acabou de começar. Quero escrever tanto, falar mais ainda… Não consigo, afogo-me nessa maré de idéias e sensações. Em breve volto, com pedido de desculpas e desabafos…

Desabafo

Cansei de guardar minha vida em papeis que nunca seriam lidos, publico aqui aqueles que eu sei que são relevantes para mim, se você, leitor, se sentiu tocado, minha parte está feita… se você se leu neles, se leu e sentiu que foi uma chicotada em você, se leu e se conteve para não chorar ou rir, se leu e chorou, se leu e riu, se leu e gostou, se leu e odiou… eu fiz minha parte!

Em cada um deles tem um pedacinho meu, um pedacinho de alguém outro, ou de ninguém… e se for uma ausência, ou pouco de ego, superego ou id, uma incerteza onírica, um delírio, um sopro, saibam que faz parte, é um pedacinho de mim, íntimo, exposto ou não e, os que eu ainda me contenho em expor, que ainda estão guardados, no meu espirito, na minha mente, no meu corpo, no seu corpo, na nossa relação, no nosso dia, meu dia, seu dia ou noite; um dia exporei, senão para você, algum dia para alguém.

Apresento-me

Confusa e doente, ligada no 220v, uma erva fina, esperando uma dose de absinto! Conversando com canecas me faço cuspidora de corações. Espero que não me leiam, mas me sintam nesses textos, não me leiam, se entendam, não me leiam, aproveitem meus momentos de ficção pseudo-surrealística e divirtam-se e chorem e riam e se desgracem e se percam e se achem e pequem e perdoem e me leiam.

Nascida com Sol em Aquário, Lua em Escorpião e Ascendente em Peixes sou a pior confusão, a mais tênue desgraça cósmica… um dezesseis de Fevereiro abençoado por meu, Virtuoso, anjo Mikael e vivendo o futuro nesse presente incerto e abraçada às lembranças passadas – vividas ou não -, trazendo à tona meu vício de uma eterna mudança.

“A ti Aquário, dou o conceito de futuro, para que através de ti o homem possa ver outras possibilidades.
Terás a dor da solidão, pois não te permito personalizar o meu amor.
Para que possas voltar os olhares humanos em direção a novas possibilidades, Eu te concedo o Dom da Liberdade, de modo que, livre, possas continuar a servir a humanidade onde quer que ela esteja.” (peguei da Toca de um Elfo)