Pronome Oblíquo

           Gosto em demasia da sensação que o precede. As asas batendo contra a parede do estômago, o sorriso rasgando minha boca, olhos fechados que voam. Talvez eu também goste da sensação sulfixa; depois de ler, falar ou ouvir tais dizeres e o corpo estremecer no êxtase desse raro verbete dito sem pretensões. O algo que ainda resfria o estômago, mas que ferve com o resto mortificado do corpo macilento. A surpresa é mais querida ao descontrole da frase repetida, pois caso perca o sentido já não arrepiará os pelos e, então, meu bem, o verbo mudará.

Consoante

Os dias passantes de leve sobre esse assoalho desgastado da vida me fazem perceber a palpitação do meu corpo, a cada dia me sinto mais apaixonada, sinto o sabor doce mais doce, o amargo mais amargo e todas as uvas são motivo para fechar os olhos e respirar fundo o aroma que fica em minha pele. São dias de riso frouxo que rasga minha face expressando um desejo bobo do eterno. Sensações que pinicam minha pele, arrepiam os pelos, olhos que fecham em deleite, corpo úmido. Não é à toa que tua boca se encaixa na minha e teu corpo combina tão bem com o meu.

O que me resta, deus, que não a minha imaginação?

Desenho Concerto

Meu corpo está agitado. Ele lateja e palpita, a mente acompanha essa viagem de símbolos. É normal agora sim, mas não para o meu. O teu toque me arrepiou e ainda penso nessa reação refletida há dias e gravada em memória afetiva.

É sobre flores mortas atentas ao mundo, sobre chá e música, livros, história. Uma boa noite e um passo a mais que não me permiti. A primeira vez. Meu estômago aperta nessa ansiedade de saber que talvez não te veja mais.

Voo longe pensando em nosso beijo e talvez ele nem tenha existido, já não sei mais, apesar de confessar querer essa realidade, pois meus lábios formigam com a sensação dos teus os tocando.