Dia 150, quarentena. Curitiba

Balanço de uma semana tipicamente estressante no meio de uma pandemia, de uma crise sanitária, de uma crise econômica e de uma crise política no país onde moro. Isso tudo somado a uma TPM que me fez ficar chorando em posição fetal por alguns dias, em meio ao pânico de uma morte iminente, de ansiedade, uma possível depressão em desenvolvimento, uma xícara de síndrome do impostor, meia xícara de síndrome de Amelie Poulain e uma pitada de ódio por gente furando uma quarentena que não existe, assim estou sobrevivendo a esse período.

Fui agraciada com uma resposta a princípio positiva a respeito de uma bolsa de pesquisa, fui incentivada por um professor a retomar outra que comecei há mais de cinco anos e foi com essa questão que minha semana ficou tensa. No começo de agosto fiquei repensando se valia a pena retomar ou se deveria desistir de vez dela, fiz textão, chorei, fiquei com raiva, somei todo o desespero da pesquisa desde o início até o momento que pensei em rasgar tudo e jogar pro alto (metafórica ente, visto que foi tudo digitalizado num computador). Como se não bastasse todo o turbilhão veio a notícia da possível negação de aborto no caso da menina de DEZ ANOS que foi estuprada pelo tio desde os SEIS ANOS e que se viu grávida (não vou entrar muito na questão aqui, mas devemos lembrar que ela deveria estar brincando a essa altura, não sendo abusada de tantas formas – pelo parente, pela mídia, pelos cristão de bem… – foi o assunto mais comentado do dia, a criminosa Cura Inverno divulgou nome da criança e hospital onde ela faria/fez o procedimento do aborto enquanto cristãos enfurecidos com o “assassinato” de um punhado de células bradava que a menina era uma assassina por estar matando um ser inocente, mas estão bem quietinhos em relação ao estuprador que está foragido e provavelmente não dará em nada – espero estar muito enganada, porque não sei medir a dor dessa menina, mas em questão de abuso todas as mulheres têm lugar de fala e acabo falando por mim que gostaria de ver meus abusadores sendo esfolados vivos), mas minha pesquisa em termos é sobre violência contra a mulher e depois desse alerta me vi ainda mais impotente em escrever sobre, mas ao mesmo tempo percebi que as ocorrências de violência não vão parar só porque eu não estarei escrevendo, então decidi que vou escrever sobre, vou voltar à pesquisa, por mais que me machuque saber que tantas meninas/mulheres estão sendo abusadas e mortas vai me doer muito mais se eu descobrir que um texto podia ter dado voz a elas e não deu porque não foi publicado.

Hoje, domingo, tirei para refletir sobre metodologia e cuidar de cólica (e talvez fazer um bolo), mas amanhã retomo leituras e se eu não sucumbir voltarei com resumos.

Seguimos sem ministro da saúde, sem ministro da educação, estamos passando de 107 mil mortes por covid no brasil, bolsonaro não caiu, sua chapa não foi cassada ainda, a esquerda não se une, a cada dia estamos um passo mais perto do abismo, mas ainda a coragem de acabar com isso não aparece. Usem máscara, fiquem em casa se puderem, não façam festinhas por enquanto, vamos aguardar a vacina. DEFENDAM O SUS.

#forabolsonaro #fogonosracistas #nenhumaamenos #abortolegal #defendamosus #defendamauniversidadepublica

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