Dia 127, quarentena. Curitiba

Às vezes nós nos cansamos de estarmos cansados, levantamos e vamos olhar o céu ou fazer um bolo ou até mesmo sentamos em uma posição diferente para sentir um lixo diferente. Às vezes desejamos coisas que sabemos que não irão acontecer e algumas pessoas ainda nos dizem para sermos empático e não desejar o mal mesmo que seja a um ser que deseja e faz o mal aos outros “não vamos nos igualar” como se fosse comparável. Às vezes desistimos de desistir, em outras queremos desistir e não conseguimos, nos casos mais extremos conseguimos e não podemos mais discutir sobre nada porque já não estamos mais aqui. Ainda seguimos, cada um por si e deus contra todos.

Dia 117, quarentena. Curitiba

Hoje, finamente, consegui cortar as unhas dos meus pés. Parece besteira, mas estou há três semanas com uma dorzinha incomoda nas costas e estava me impossibilitando de fazer movimentos básicos. Hoje cortei, fiquei até emocionada. Vamos seguindo com dor, bem menos que antes, porém ainda sigo receosa de me mexer bruscamente, mas médicos já foram consultados… ✨ 💛

Gostaria de poder informar que estamos no próximo grupo pra tomar a vacina, mas ainda não foram aprovadas. Estão perto, mas ainda estão nas fases de segurança. Assim seguimos.

Estou fazendo vários pratos, caçando receitas, trocando com amigues, errando e ficando puta com o forno, mas seguimos.

Hoje bateu saudade da minha casa, do lugar mesmo, de onde eu estava morando até a quarentena começar e me prender onde estou (sim, eu sei que poderia ter voltado, que posso fisicamente ir de uma casa a outra, mas sou paranoica o suficiente pra não brincar com a sorte). Quero tirar pó dos meus livros, arejar meu guarda-roupas, rever meus utensílios de cozinha, falar com o meu pé de café e pedir desculpas por não tê-lo reenvazado no começo do ano, ver a cachorra da minha mãe (nesse caso é a Chiara mesmo 🙃 até porque da minha mãe é uma questão complicada e falo com ela toda semana). Sinto falta das aulas PRESENCIAIS, de poder passar a tarde na biblioteca ou fazendo café brincando de barista. Sinto falta dos meus amigos, de poder abraçá-los, de tomar café no Manifesto com eles, do empadão da mãe do Rafa.

Sinto falta de ter um presidente no país.

#forabolsonaro

Balanço

Percebo o quão difícil é expor amarras sociais sobre a nossa família. Estou há um mês tentando escrever uma carta sobre o sentimento e a vivência de ter estado presa por trinta anos em uma e não está saindo nada publicável. Hoje essas poucas linhas trarão, talvez, uma luz para o desenvolvimento de um texto maior, mais denso, melhor… Hoje deixo só a sombra de um desejo. Hoje me despeço acreditando que será melhor.