Manifesto Afuturista

Não consigo achar uma visão de futuro. O hoje podia encerrar com tudo isso e seria um alívio. O futuro não está em nossas mãos. Está em mãos de gente imbecil.

Diziam que o futuro a nós pertencia e olha onde fomos parar, na incerteza da existência de um.

Ser pessimista agora não é caso pra tratar com otimismo, é só ser realista. Meu futuro é incerto e o hoje podia encerrar com tudo.

Desgosto

O que sou senão um amontoado de carne apodrecendo, um pouco de sangue ralo e gordura pra manter a temperatura? Nada de especial. Nem bonita, nem inteligente, muito menos alguém que valha tempo. Não sei conviver com pessoas, não gosto que me toquem, não sou de falar muito, fico irritada com muita facilidade, tenho pânico de lugares barulhentos e com muitas pessoas. Aparentemente não me dou bem nos estudos, apesar de ter um tesão descontrolado por leitura, minha vida amorosa é um caco, um erro, uma falha e parece que nunca isso irá mudar. Minha vida social já dispensei faz tempo. Tenho poucos amigos. Tenho medo dos vinte segundos de coragem insana. Não sou de arriscar. Não tenho nada a oferecer. Desculpa. Crio expectativas, tanto pra mim mesma, quanto pros meus amigos que ainda acham que sou alguma coisa bacana. Desculpa. Sou uma fraude, isso que vocês vêem quando olham pra mim é só minha máscara, eu me conheço, não sou nada senão esse amontoado de desgostos.

Arenga

          Em apenas uma palavra, ou três, eu poderia resolver algumas coisas e me livrar de outras tantas. Também, eu poderia, por pra fora todo esse sumo e aquele gorfo acidamente informal. Um texto curto e íntimo. Uma. Palavra. Ou. Três.

Sinfonia nº. 6

Medo calado
Sufoco
Não consigo falar
Você não aguentaria a confissão
Medo justificado
Não entendo essa justiça

Talvez ela nem exista

Quero contar
Quero que saiba

Vai precisar adivinhar

Desculpa
Desculpa a mim, pra mim, por mim
Suspeita
Shh
Não me esqueça
Não me machuque

Vai doer

Eu sei
Preciso respirar
Contar até mil

Divaguei

Me tenha dó
Vem comigo
Por favor
A gente se cuida

Se cuide.

 

Vem, Vou Divagar.

      Teus lábios pressionam os meus e salivas se fundem e a maciez de tua pele é ilusoriamente construída. Em minha cama te sinto doce e meu corpo se arrepia num espasmo de excitação. E aquela música toca e embala meu delírio. Um beijo é o selo da loucura, um beijo e não estou mais presente. Embale-me na tua dança e fique essa noite comigo, porque eu sei que só preciso fechar meus olhos para conseguir te sentir.