Éden

Já é madrugada novamente. Quase entrando em casa, não acho minhas chaves, está chovendo muito forte, as gotas caem dolorosas, meus olhos embaçam, meus cabelos grudam em meu rosto atrapalhando qualquer chance de acha-las.
Tem alguém na esquina, veste algo similar a um vestido colado ao corpo molhado. Ela parece não se importar com a chuva, apenas olha pro chão. Está frio, o vento rasga a pele nua do meu rosto e mãos. Ela continua lá.
Intrigada, eu a observo. Erguendo os olhos pra mim, ela não tem rosto, o desespero cresce e minhas mãos trêmulas desistem de achar a maldita chave.
Quem é?
Ela vem andando devagar, parece estar flutuando.
Inconsciente eu dou um passo inútil pra trás, querendo o portão aberto. De repente ela corre. Em minha direção. É muito rápida. Socorro. Um grito surdo. Meu coração para de bater por milésimos de segundos. Meu estômago já não existe mais. Não consigo respirar. Cada vez mais próxima. RAPIDA DEMAIS. Um sorriso salgado e pontiagudo.

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