Veia Tinta

E é por entre ré bemois que sinto ter perdido minha veia poética, isso se a tive em algum dia
A tinta da minha pena é sangue, perdi a prática de sangrar. Nada dói, nada foi machucado, nada sangra… Não tenho meu tinteiro. Não tenho mais escrita. Nada de novo. Sem tinta, sem dor, sem nada.

Éden

Já é madrugada novamente. Quase entrando em casa, não acho minhas chaves, está chovendo muito forte, as gotas caem dolorosas, meus olhos embaçam, meus cabelos grudam em meu rosto atrapalhando qualquer chance de acha-las.
Tem alguém na esquina, veste algo similar a um vestido colado ao corpo molhado. Ela parece não se importar com a chuva, apenas olha pro chão. Está frio, o vento rasga a pele nua do meu rosto e mãos. Ela continua lá.
Intrigada, eu a observo. Erguendo os olhos pra mim, ela não tem rosto, o desespero cresce e minhas mãos trêmulas desistem de achar a maldita chave.
Quem é?
Ela vem andando devagar, parece estar flutuando.
Inconsciente eu dou um passo inútil pra trás, querendo o portão aberto. De repente ela corre. Em minha direção. É muito rápida. Socorro. Um grito surdo. Meu coração para de bater por milésimos de segundos. Meu estômago já não existe mais. Não consigo respirar. Cada vez mais próxima. RAPIDA DEMAIS. Um sorriso salgado e pontiagudo.

Suicídio Culposo

Perdi muita coisa, eu sei. Mas quem sabe o que teria acontecido se eu continuasse? Promessas não bastam, atitudes eu não via; quer dizer, via, mas não era algo que combinasse com o meu look. As idéias não correspondiam aos fatos, parafraseando o poeta.
Quero me apegar aos erros pra ser mais fácil desapegar dos acertos, mas que os acertos foram bons e insubstituíveis é inegável e é com isso que vou continuar; pra sempre lembrar das antigas novas sensações. dos poemas declamados e dos não ditos. das mãos, dos olhos, dos corpos sob a luz, da taquicardia, do estômago inexistente, do sangue, das músicas ouvidas e daquela quase tocada, da carne viva. do desejo, das cores, do lounge, das roupas no chão. texturas. sabores. as aquarelas. minha lua em escorpiao. das pedras, dos doces, os cafés… Ah os cafés.
Não esquecerei;
Não quero lembrar;
Sangra, arde, umidece;
Não quero esquecer;
Quero manter o foco nos erros, não nas antigas novas sensações, foco;
Quero esquecer;
Quero esquecer;
Quero querer esquecer;
Não, jamais! Quero lembrar, antes ter vivido que jamais experimentado.
Quero lembrar, de todas as antigas novas sensações quero embriagar-me nelas afogar lembrar ofegante andante amortecida;
Queria ter querido;
Pensado;
Esperado;
AGORA.NAO.DA.MAIS
É passado não volta mesmo querendo lembrar é só uma voz distante, um ré bemol na escuridão. uma dor surda e muda, cega, aleijada, meio coxa de duas pernas.
Um adeus, uma memória, dois olhos que reclamam.

Degringolado

Desculpa

Não consegui

Te amei

Te amo

Te quero feliz

Você está feliz?

Eu tô bem

Quer dizer… Ficarei. Não pode durar pra sempre né?

Deveria ter sido

É, foi

Não consegui

Já pedi desculpas

Você sabe que eu não queria

Não

Não consegui falar

Já parecia tudo certo

Ok

Sinto falta disso também

Queria muito que…

Não, por favor

Já está bem difícil assim

Não soube lidar com tuas fossas, não couberam em mim, não consegui ajudar nessas

Eu também estava

Não tive como…

Desabei

Desculpa

Não vou te ligar mais, juro que foi a última

Por favor, não peça isso

Desculpa

Promete uma coisa?

Seja feliz!!

Retorno;

A tinta da caneta seca na ponta entre meus dedos ansiosos por escrever, minha mente flutua rápido demais de um tema pra outro. Tentando um foco, um retorno ao mundo da escrita, minha bebida esfria no copo e já intragável tomo de um gole só pra que a tortura acabe logo… Ledo engano, acabou de começar. Quero escrever tanto, falar mais ainda… Não consigo, afogo-me nessa maré de idéias e sensações. Em breve volto, com pedido de desculpas e desabafos…