Sereno

Vontade absurda de chorar, mas minhas lágrimas não querem sair. Tenho tantos motivos para ficar assim e ao mesmo tempo não tenho nenhum. Queria não sentir, mas esse papo já está bem gasto. Queria tantas coisas, mas não posso tê-las… Queria que fosse diferente. Queria apagar esse texto, mas meus dedos insistem em continuá-lo e vão insistir em levar o cursor ao botão “Publish Post” e ele será postado ~não é à toa que você o está lendo~.

Deixo aqui meus pesares sem motivos, meus cantos saudosos, meus sentimentos descompassados, minha viagem ao outro, meu desespero contido, meu impossível negado.

Enfado

Minhas olheiras já estão fundas e muito roxeadas. Elas, um dia, chegaram a doer, de mal conseguir abrir meus olhos depois de várias noites inundadas por lágrimas salgadas que cortavam meu gosto por permanecer aqui. Rosto inchado por tantos dias e noites e tardes fim…

Meus dedos sangram esfolados de tanto escrever. Escritas malignas ferindo meu corpo apodrecido de ódios e desgostos.

Essas olheiras, hoje me dão certo charme. Amantes da noite, das sombras, de literatura obscura me tomam por musa. Bebo desse meu sangue para me voltar para dentro de mim e me amar de dentro e de fora.

Ampulheta

Milhões de centenas de grãos de areia sufocam essa alma, esse corpo, essa mente já gasta e poluída, entram em meio a poros abertos. Poeira inalada prejudica sentidos, causa ardência nos olhos, gosto ruim na boca, dor no corpo todo, altera sensações. Fuja dai, rapaz.

Quebre os vidros caleidoscópicos que te hipnotizam e fuja, fuja, corra o mais rápido possível e se encontre. Não permita que se afunde, procure ar limpo, ar puro. Volte a ouvir os sons que ouvia, os perfumes que tanto gostava, as sensações que lhe vinham à mente e ao corpo. Fuja dai. Tenha força para quebrar essa prisão. Fuja e volte para o seu mundo.

Não posso te ajudar, os deuses sabem o quanto eu queria, mas não posso, não consigo mais. Então venha por seus pés, mãos, corpo, mente, voz, alma, espírito… Limpos de toda a sujeira desse lugar imundo. Permita-se voltar. Não se perca.

Não é bem assim.

Eu te olhar não é indício de algum desejo maior, não quer dizer que eu te quero. Não tente ocupar meus pensamentos e muito menos meu coração, eles não serão teus. Posso estar te olhando apenas por admirar seus olhos ou observar detalhes do seu rosto, mas isso não vale, faço com todo mundo. Posso estar olhando sua boca, mas isso não quer dizer que queiro beijos ou que eu realmente esteja prestando atenção em você ou que eu me importe com o que saia dela, apenas não olharia o horizonte enquanto você fala.

Se aceito um abraço, não quer dizer que quero seu corpo ou que o meu corpo será seu, apenas retribui um abraço! Pode não ser o que parece, mas pode lhe parecer algo que não é, então tente me decifrar, apenas quem me conhece o suficiente sabe o que quero e o que preciso! Quem eu quero sabe do que eu preciso e preciso de quem me conhece.

*Feito lá por abril e aprimorado em junho de 2012*

Pecatos

* listar pequenices que alegram meus dias*

1- Beijos na bochecha, onde os lábios encostem na pele e não apenas bochecha-bochecha;

2- Brincar com a ponta dos dedos de quem se arriscou em relacionamento comigo;

3- Mimos, apesar de me deixarem constrangida;

4- Abraços que me fazem fechar os olhos e apertar forte os braços e tentar, pelo mínimo, encostar as almas;

5- “Beijo” de nariz com nariz;

6- Sorrisos ternos que abraçam;

7- Conversas à toa onde as pessoas ficam à vontade para falar comigo sobre qualquer coisa;

8- SMS inesperado;

9- Abraço dado sem pretensão, abraço dado apenas por querer abraçar;

10- Olhos que brilham;

11- Cafuné quando preciso, mas não peço;

12- O tempo quase parar ou fazer o favor de passar mais lentamente;

*em processo*