Decantonoturno

Toque que derrete o corpo em espasmos quentes, vertigens embriagadas de ilusões. Corpo desperto, gosto de boca nua em pele exposta me servindo sensações lúdicas. Devaneios agudos que brutalizam a espinha e ferem a garganta poética. Avesso rompido que o tempo, sagaz, força os sonhos enlouquecidos. A fragilidade dessa escuridão que sorri uma brasa que se perde em passos lancinantes.

Pele sincera, arrepio que invade a alma e a deixa descompassada. Alma que não se aguenta no corpo e flui e voa e pede viagens de sentidos de noite e de dia dessa luta amena e embriagada que forneces. A cada brilho cósmico e decadente de seus trapos esfarrapados de corpo esmigalhado que tanto acaricio.

Isso ainda não acabou, ainda há marcas coloridas de meus sorrisos e guizos sussurrantes que aliviam choro ardente que deságua desse corpo apodrecido sacudido sozinho e fingindo não sentir e não pensar. Alegria que guardo em uma estufa, uma flor dessa poesia decantada que sua por poros abertos. Resfolega a carne crua em festa horrível trazendo doces dissabores podres.