Liberta…

Sentir-se leve. Banhada em luz azul, um cosmos único e harmonioso, só meu. Organizar minha luz, meus chacras e entrar em equilíbrio com o mundo, moderno e ancestral.

Livre de apegos. Livre de dor. Livre de desconfianças (minhas e de outrem). Livre de tudo, menos de mim, eu sou a única de quem preciso. Eu me amo e serei eternamente feliz comigo mesma… claro que quero dividir e somar esse amor com outro amante de si mesmo, mas ainda não. Quero me curtir antes e depois, pra sempre e nunca mais, por hoje e amanhã para compensar o ontem que eu achava que não foi meu. Demorei para perceber que eu sempre fui minha e apenas de mim, quase a única que merecia e merece que eu esteja junto comigo. Confuso, leitor? Eu explico esse meu caos:

Só quero junto de mim quem confia em mim, não uma confiança de “eu sei que você consegue, você é forte…”, mas sim “eu confio em você, estarei sempre contigo, respeitarei você, você é alguém livre e merece essa liberdade como prova de confiança”, mas que seja natural e verdadeiro, nada mecânico só pra me agradar e me deixar feliz por momentos que logo me frustrarão. E caso alguém pense que é indireta, até pode ser, se tiver a mente fechada e limitada a seu próprio umbigo e não perceber que eu tenho um mundo comigo. Pensem o que quiserem. Apenas estou dizendo que tipo de pessoas eu quero comigo se aceitarem dividir e somar seus mundos.

Estou sendo egocêntrica demais? Não, apenas percebendo que sou muito mais do que pensam ou querem que eu seja. Não sigo padrões, não peço que me sigam. Não peço que me amem, amor é natural, não algo imposto. Vocês gostam de estarem comigo? De dividirem momentos comigo? De serem meus companheiros de mundos? Ótimo, eu também gosto, amo quem se divide e soma comigo e, é por isso que estou rindo com meus amigos e chegados, sempre feliz… entregue-se a mim e a sua liberdade que farei o mesmo. Se eu sentir que não vale mais a pena, meu desapego é rápido e pra sempre.

Ainda confuso? Se sim, esse depoimento não é para você.

Se não, bem vindo ao meu cosmos.

Meu Tempo

Não estou sozinha, nem vazia…

Quero meu tempo de paz e sossego… preciso pensar, preciso ter paciência, quero sorrir por mim.

Sinto que falta algo que jamais será preenchido, mas a Vida é assim, ela vai nos tirando pedaços até não nos restar nada a não ser a esperança que a Morte venha brincar conosco e nos leve ao playground dela. Isso não é justo nem injusto… é o que acontece, o mundo não é feito de certezas absolutas e irrefutáveis. Apenas é! Querendo ou não.

Nada substitui perdas, se eu ganhei um chocolate e ele foi roubado de mim por alguém “confiável” e essa pessoa ficou com peso na consciência e me deu um pirulito jamais teria o mesmo gosto, a mesma sensação se eu estivesse com meu chocolate. Quero arrancar meus dedos e comê-los depois de ter feito essa comparação absurda, mas ficou claro, espero.

O fato é que preciso de mim.

Sou esperta o suficiente para querer pessoas junto comigo (e estão, sei disso), meus amigos e amores, minhas paixões inventadas. Serei eternamente grata a todos que me ofereceram abraços (e me deram mesmo), aos que estão me distraindo e me assustando (principalmente a esses), àqueles que estão me dando chocolates desde o início do mês, a todos que sabem o que estou passando, a todos que não sabem exatamente (e espero que não passem por isso)… enfim… meus olhos estão embaçando já, então é hora de terminar esse!

Grata a todos 

Passarinhos devem voar ♥

Vinte e dois anos vivendo com a mulher mais maravilhosa desse mundo. Contava-me histórias de lobos e florestas encantadas e fazia eu memorizar as palavras e, dizia que eu falava errado e repetia pra tirar onda com a minha cara. Eu ria muito, passava horas e dias assistindo novelas e durante os intervalos ela me deixava brincar com seus cabelos ou mostrar o que aprendi nas aulas de ballet.

Fazia bolachinhas, as melhores do mundo, a receita não conta, era a mão dela que fazia a mágica. Um dia ela parou de fazê-las. A mulher que me ensinou vários dos palavrões que sei.

Os dias que passei com ela e as noites esperando minha mãe chegar do trabalho. O cuidado que ela teve comigo desde sempre. Meu batizado que foi no dia do aniversário dela. Minha rainha.

Sinto que deveria cortar minhas mão por estar escrevendo tão pouco sobre ela, mas entre olhos embaçados e corpo trêmulo em espasmos e a falta de controle da minha mente me impedem de fazer algo que preste.

Já pediram pra mim, que eu lembre apenas das coisas boas. É isso que farei, minha última lembrança boa é de ela me entregando uma oração, está guardada na minha carteira e na minha alma. A do hospital, que evitei por tanto tempo… essa não… não consigo mais visualizar aquela cena.

Vou chorar muito ainda, disso tenho certeza, mas não posso negar minha felicidade por ela ter parado de sofrer e que está num lugar melhor, como ela acreditava em Deus então que Ele a tenha em paz, porque é isso o que ela merece.

Vó, meu amor, desculpa por não ter conseguido falar contigo naquela última não-vez, não queria que você me ouvisse chorando sem poder dizer que estava tudo bem… Ir lá foi meu ponto extremo. A pior dor que senti na vida.

Mas o que permanecerá em minha memória será o seu cheiro de vó, o gosto dos doces que você fazia, o zelo que tinha por mim e pela família e tantas outras coisas boas que tenho só pra mim.

Virgínia, minha rainha mãe

★ 07/10/1930

✝ 13/02/2013

Suicidas

Qualquer tipo de fuga da realidade é um suicídio, uma morte moral, uma morte do subconsciente. Algumas pessoas passam anos se matando a cada dia, até nascer de novo para, novamente, se matar. Longe de mim julgar essas pobres almas penadas, sou uma delas, fui uma delas, estou renascendo a cada crocitar do corvo que bica a morte e a come.

Um amor inexistente ou acabado, jamais perdido. Algo que mudou, que teve sua era, seu tempo, seu calor e agora é frio como um corpo em rigor mortis. A tinta seca de um tinteiro, uma folha que não usamos para desenhar nem escrever algo, uma palavra que não dizemos. Há aquele impulso de falar, falamos e morremos ou matamos uma parte do todo, se não mata sangra e não cicatriza rápido e, nos acompanha e machuca quando é tocado ou quando pensamos nisso, pois dor é psicológica, acredita nisso? Você só sente dor quando vê que o corpo está magoado, com hematomas ou sangrando. Caso contrário você demora para perceber que dói. Nega isso?

A dor é morte, um suicídio assistido por você mesmo. Eutanásia seria permitida se você está consciente e não quer sofrer mais? Doa-se sangue, rins, pulmões, fígado, um corpo todo novinho em folha pra ser torturado, esmagado, nutrido, amado, venerado, invadido, bebido, arrancado a alma junto com couro e pelos eriçados.

A paz é morte, o descanso eterno de alguém que sofreu, que amou, que sentiu, que viveu, que não se importa mais. Eternamente por um momento ou brevemente num sempre. Aquilo que não volta.

Uma droga feita de desejos e impossibilidades de realização, uma morte a cada impulso nervoso, a cada espasmo, a cada bater de asas dentro de nós… uma dança jamais dançada, um voo que não foi alçado, uma cerveja que não foi bebida, quando passa da conta e vomita. É a ressaca do dia seguinte.

Um pulo que foi dado, um pedido que foi feito, um beijo dado ou roubado, conseguido, quisto… uma morte de alguma forma. Uma perda, um ganho, um “quero viver livre”, escolhas certas e errad… não, escolhas certas, ninguém faz o que acha que é errado.

Suicidas estão em todas as partes, fazendo da vida uma pequena morte a cada segundo perdido. Fazendo da morte uma curta vida sem sentido.

Sangue derramado, gozo perdido, saliva trocada. Uma morte em cada espaço de corpo e alma. A dor que não dói verdadeiramente. O sabor que faz arder a língua e desce queimando a garganta. A lâmina imaginária que fere nossa carne. O toque gentil na pele fresca. E aquelas borboletas…