Emoção Cerebral

Dito um dia, meu mestre Dalí, a seguinte frase, indiscutível: “A diferença entre as recordações falsas e as verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias: são sempre as falsas que parecem mais reais, mais brilhantes.”, apenas tenho que concordar, não é possível discutir sobre isso, o que eu crio em minha mente parece ser tão mais ‘brilhante’, mais feito de joias do que o que realmente acontece na vida real, meus sonhos são mais vivos, mais enérgicos, mais especiais, acho que estou precisando de mais emoção na minha vida, mais aventuras. Até lá fico sem saber como explicar com palavras o que vivo emocionalmente, nessa tentativa falha de viver. Não tem como transportar por meio de simples palavras tudo o que passa em minha mente, se bem que se fosse possível muitas pessoas se assustariam, prefiro evitar… e assim vou seguir, a cada texto meu tentar passar um pouquinho de mim, ou de alguém…

até breve

Desabafo

Cansei de guardar minha vida em papeis que nunca seriam lidos, publico aqui aqueles que eu sei que são relevantes para mim, se você, leitor, se sentiu tocado, minha parte está feita… se você se leu neles, se leu e sentiu que foi uma chicotada em você, se leu e se conteve para não chorar ou rir, se leu e chorou, se leu e riu, se leu e gostou, se leu e odiou… eu fiz minha parte!

Em cada um deles tem um pedacinho meu, um pedacinho de alguém outro, ou de ninguém… e se for uma ausência, ou pouco de ego, superego ou id, uma incerteza onírica, um delírio, um sopro, saibam que faz parte, é um pedacinho de mim, íntimo, exposto ou não e, os que eu ainda me contenho em expor, que ainda estão guardados, no meu espirito, na minha mente, no meu corpo, no seu corpo, na nossa relação, no nosso dia, meu dia, seu dia ou noite; um dia exporei, senão para você, algum dia para alguém.

Encanto

Num canto você me pega me beija me ama te amo te odeio machuca a dor sangra a angústia amo a loucura correria simpatia! Me encanta, me canta, eu canto um canto no canto da beleza enganada canto o pôr do sol tu cantas o nascer de um sorriso de um beijo molhado malhado seco de dor macio de calor exposto e canta a paz de uma vida vivida numa música em alto-relevo de um realejo distante preso num canto e assim acabou o encanto.

Pele

Uma dor invisível, um não saber, uma intuição falhada. Linhas mal-traçadas e um sopro do vento que faz as folhas de uma velha árvore farfalharem num dizer “eu te amo”, isso não é o suficiente, pois nem o amor irá conseguir prender uma alma que nasceu para ser livre.

Sinto-me perdida e isso me confunde ainda mais, não sei o que quero de você, de mim… nem se quero alguma coisa. Uma tortura ébria, sentir sua presença sem estarmos juntos. Devaneios melancólicos e masoquismo emocional, a ideia de um sonho perfeito escorrendo pelos dedos.

Sinto falta do toque das suas mãos na minha pele quente, dos teus lábios percorrendo meu corpo, da sua voz suave me convidando a provocar arrepios, dos doces beijos de um mancebo.

Janeiro de 2011; vivido, curtido e superado há tempos :)

Jackson’s Followers

Lágrimas saudosas escorrem dos meus olhos ao reler o projeto, ao rever os vídeos dos ensaios e meu ápice chega quando vejo o vídeo do Juizo Final, de um dezoito de dezembro, daquele ano em que me apeguei forçosa e deliciosamente aos meus queridos Jackson’s Followers, depois de um primeiro projeto de zumbificação, trabalhamos ‘sangrando’ nesse novo atestado de alegria. Foram meses de ensaio; acordando cedo, aguentando atrasos, impedimentos – sim, muitas pessoas pareciam estar torcendo para que não acontecesse –, mas tínhamos algo a nosso favor e conseguimos um teatro e não apenas uma apresentação no colégio. Enlouquecendo com erros, pirando no processo criativo – e, nessa brincadeira, levamos tardes e noites pensando, juntando, colando, trocando, editando, dançando, chorando, rindo… enfim, uma gostosa contaminação de prazeres emocionais.

Organizar essa experiência cênica nesse curto espaço de tempo ultrapassou os limites do nosso (meu e dele) corpo e da nossa mente, exaustos e quase sem forças, experimentamos uma sadia brincadeira:

Em uma manhã de ensaio, simular uma briga foi divertido e, sadicamente sadio.

– Pessoal, não faremos mais nada – ele disse – não consigo mais trabalhar com ela. – e eu chorava raivosa.

Silêncio mortal…

Alguém quebra

– Não, professor, não podemos desistir agora… – diz um dos dançarinos, inconformado

– Não, vai ser isso – reafirma, inconstante, o cruel professor -, não tem como trabalharmos juntos mais.

– Sim, pessoal, é verdade – eu intervim na conversa -. Está impossível continuar. Não são vocês que passam manhãs, tardes e noites com ele surtando e me fazendo surtar… está insuportável, mas está tudo pronto, é só vocês irem lá e arrasarem no domingo.

– Não, não é assim, precisamos de vocês dois, juntos, com a gente – e começa a marejar alguns pares de olhos (penso: força, você aguenta até o fim dessa brincadeira).

– Desculpem pessoal – o professor interrompe – se nos querem lá, escolham, ou eu ou ela?!

Alvoroço

– Não – podia ter sido um coro, não lembro bem – não, tem que ser os dois, ou nenhum… não, não, não… por que estão fazendo isso? Já não estava tudo certo?

– Sim, está – eu digo – está, é só irem lá no domingo e me encherem de orgulho.

– Não, vocês fingiram que estavam gostando disso tudo… por que mentiram? Por que fizeram isso? Nos iludiram desde a quadrilha… isso não é justo. E agora?

– E agora vocês vão dançar como estávamos ensaiando e vão arrasar no teatro domingo, serão nossos orgulhos, apesar dessa desistência de última hora. Amo vocês, mas não posso continuar trabalhando com ele do jeito que está.

– não, não, não…

– eu vou fazer vocês dois se abraçarem – diz uma das dançarinas disfarçando choro (o que me cortou o coração)

– Não faça isso – eu disse – sério, é melhor deixar como está.

E todos falaram que devíamos fazer as pazes e tals. Nos olhamos, eu e ele

– Tudo bem – concorda ele – trégua, aceito continuar o trabalho.

– Tudo bem – concordo – por vocês, saibam disso – nos damos as mãos, nos abraçamos e dançamos, rindo loucamente e os dançarinos sem entender. Falamos “é pegadinha, nunca deixaríamos vocês, planejamos isso ontem, para vocês pararem de mimimi, dizendo que vão sair do grupo, que não podem dançar… agora, dancem como se não houvesse amanhã… NUNCA deixaríamos vocês na mão, muito menos dois dias antes do final.”

E assim foi, no dia, teve pegadinha para nós também. Acordo o mais cedo possível  e recebo uma mensagem de uma dançarina “oi, a Carol não está bem, deu alergia nela e está no hospital. Pediu para avisar que se ela conseguir ir vai chegar bem em cima da hora. Desculpa avisar assim” e uma ligação dele

– bom dia – eu atendo querendo explodir o mundo – adivinha, tenho uma péssima nóticia…

– diga a sua, também tenho uma.

Quase começo a chorar, duas noticias logo ao acordar?

– ok, Carol está no hospital..

– ah, é a mesma, sim, me ligaram agora dizendo que atacou alergia nela…

– ok, e agora? Não tem como substituir de última hora…

– calma, conversamos ao chegar no colégio

– tudo bem – respirando profundamente.

Cheguei no colégio, onde foi nosso ponto de encontro para irmos juntos ao teatro e levar o cenário e afins. Cadê ele? Precisávamos conversar e não queria contar pro pessoal o que estava acontecendo, mas é claro que já sabiam. O colégio estava fechado, ninguém atendia para pegarmos o material lá dentro, foi um caos.

Ele chegou, fomos conversar, decidimos esperar até a hora da apresentação. Mais uns contratempos e chegamos no teatro, quem estava lá? A linda Carol rindo loucamente do nosso desespero.

Descontou a brincadeira e agora seria pégapácapá, subimos e fomos ajeitar tudo, cenário, ensaio, ensaio geral, luz… TUDO, ali, na hora.

ACONTECEU, apresentamos, foi lindo, choramos, agradecemos (GAABY, VOCÊ É LINDA, MARAVILHOSA, SEM VOCÊ NÃO TERIA ACONTECIDO TUDO ISSO TÃO ‘CALMAMENTE’ – medo da maquininha). Foi assim, choro saudosista de esse tempo, mas ficam ótimas lembranças!

Meus queridos que nos adotaram como Papi e Mami <3

Meus filhos lindos <3

Agradeço a ‘ele’, por ter me chamado para fazer parte dessa loucura toda *-* não sei o que teria sido do meu 2011 sem vocês todos, família *-*

É isso, vou parar porque choro rios ainda e chega, preciso ir dormir.

AMO VOCÊS, sempre estarão comigo, todos!

Criminal Blood:

“Projeto interinstitucional e interdisciplinar idealizado pelo acadêmico de Artes Visuais – Licenciatura em Desenho, da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), Israel da Silva Munhoz de Souza, e Rosana Moro, acadêmica do Curso Superior em Tecnologia em Produção Cênica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), junto à comunidade do Colégio Estadual Euzébio da Mota – Ensino Fundamental e Médio.

[…]”

fiquem com um gostinho, porque ao vivo é mais intenso

Quadrilha Julina: http://www.youtube.com/watch?v=JvIQK1Mmeg8&feature=related

Criminal Blood: http://www.youtube.com/watch?v=hKam3zhf7uU

Texto concebido dia 28/05/2012 a partir de emoções começadas em maio de 2011 <3

Um dia, quando…

Sabe quando você dança e sente que está voando?

Sabe quando você lembra da primeira vez que subiu em um palco?

Sabe quando você lembra porque demorou tanto para subir em um?

Sabe quando você lembra que perdeu muito tempo?

Sabe aquilo que você sente quando toma o primeiro gole de água quando está com muita sede?

Sabe quando você ouve aquela música que fala por você?

Sabe quando te beijam e estala?

Sabe quando te beijam e é muito ruim?

Sabe quando te beijam e é muito bom?

Sabe quando você lembra da última pessoa que te beijou?

Sabe quando você sente de novo aqueles lábios macios nos seus?

Sabe quando você sente que não será a última vez que se tocarão?

Sabe quando você sente que será a última?

Sabe quando você chora por estar tão frio?

Sabe quando você ri só para disfarçar um choro?

Sabe quando você chora de tanto rir?

Sabe quando você tem amigos que iriam até o inferno por você?

Sabe quando você lembra que tem pessoas que não valem nem seu esmalte descascado?

Sabe quando te abraçam apertado?

Sabe quando você ouve um ‘eu te amo’?

Sabe quando você derruba café na mesa?

Sabe quando você escreve algo sem sentido?

Sabe quando você diz algo sem sentido?

Sabe quando você sente que seus ossos vão se partir?

Sabe quando você sente aquele perfume?

Sabe quando você esquece o que ia dizer?

Sabe quando você quer bater em alguém?

Sabe quando você sente que vai perder alguém?

Sabe quando você acha que ganhou alguém?

Sabe quando você sabe que aquele alguém não te pertence por não ser um objeto?

Sabe quando você sente que ele está te olhando?

Sabe quando os olhares se cruzam e ambos disfarçam?

Sabe quando você sente aquele friozinho na barriga?

Sabe quando a sua intuição está certa?

Sabe quando você se sente idiota?

Sabe quando você se convence que é foda?

Sabe quando você come um chocolate e o gosto lembra alguém?

Sabe quando você lembra de pessoa (s) que ama?

Sabe a sua memória olfativa?

E a auditiva?

Quem sabe a tátil… ou a gustativa.

Preserve suas memórias, arrecade mais delas… procure viver, sentir, ousar, sorrir, amar, cantar, dançar, produzir, amar, conquistar, amar, amar, amar, amar…

28/05/2012

                                                                          ***

Versão em áudio (Lindamente reproduzida e gravada por Hugo Mendes) http://www.youtube.com/watch?v=2qLO64xmmFY

21/08/2012

Sangria

Sangue escorre dos meus olhos, meus dedos tentam estancar, mas está denso demais, desce para os meus lábios, sinto o gosto maldito do sangue perdido nessa tentativa falha de amar, já não posso mais controlar. Meu corpo todo sente o calor infernal, minhas veias pulsam bombeando toda essa loucura. Meu peito se abre e escoa o líquido vital…

Nenhum socorro, nenhuma mão para cobrir a ferida, ninguém vem… ninguém vem! Faço um corte mais profundo, faço cortes assimétricos, muitos deles para que seja mais rápida a morte… o chão está coberto de vida e esse cheiro de ferro e sal, esse gosto podre de alma abandonada, infecta todos os cantos do meu quarto cheio de teias! No meu último suspiro, com a minha reserva de ar, você vai me ouvir te pedindo um beijo e então meu coração vai sossegar, minha alma se encantará, mas você não fará nada! Pois tens medo de se sujar.

07/05/2012

Compilação Expressionista

PERSONAGENS

†    MORTE

†    BRUXA

ATO I

Cena I

(Uma sala, círculo grande com 12 velas pretas acesas, fósforos, pouca iluminação elétrica, tocando Sehöemberg e balbucios da Bruxa).

Bruxa: Gênio das trevas lúgubres, acolha-me!

Morte (sempre à espreita, meio que rastejando e preenchendo espaços): Vês? Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão foi tua companheira inseparável.

Bruxa: Leva-me o espírito dessa luz que mata (apaga uma vela). E a alma me ofusca (apaga mais uma vela) e o peito me maltrata. E o viver calmo e sossegado tolhe-me.

Morte: Acostuma-te à lama que te espera, o Homem que mora nesta terra miserável sente necessidade de ser fera (ambos animalescos e em posição de ataque).

Bruxa: Leva-me, obumbra-me em teu seio (apaga um vela), acolha-me (suplicante)! N’asa da Morte redentora, e à ingrata luz desse mundo em breve me arrebata e num pallium de tênebras recolhe-me (deitando-se)!

Morte: Se a alguém causa inda pena da tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, escarra nessa boca que te beija… (pausa) Um penetrante e corrosivo frio (a Bruxa se encolhe) anestesiou-me a sensibilidade e pela estrada feral dois realejos estão chorando meus amores mortos!

Bruxa (levantando-se, derrotada, suplicante): Aqui há muita luz e muita aurora (apaga duas velas), há perfumes de amor e eu busco a plaga onde o repouso mora (apaga mais uma vela).

Morte (com um pouco de raiva levanta e anda na direção oposta a Bruxa, como se confidenciando algo): Mordia-me a obsessão má de que havia, sob meus pés, na terra onde eu pisava, um fígado doente que sangrava e uma garganta de órfã que gemia! E via em mim, coberto de desgraças, o resultado de bilhões de raças que há muitos anos desapareceram! Convulso o vento entoava um pseudosalmo. Caiam sobre mim os pingos ardentes de cem velas. Do fundo do meu trágico destino, onde a Resignação os braços cruza, saía, com o vexame de uma fusa, a mágoa gaguejada de um cretino.

Bruxa (lembrando-se de uma possível vida boemia): Noite. Da mágoa o espirito noctâmbulo passou de certo por aqui chorando. Se eu pudesse ser puro! Por que cumpri o universal ditame?! Pois eu sabia onde morava o Vicio (a Morte vira o tronco para olha-la), por que não evitei o precipício estrangulando minha carne infame? (pausa) Estou alegre, pois cedo virá o funerário, atro dragão da escura noite, hedionda, em que o Tédio estronda. (sente uma dor aguda e cai no chão). És suprema! Riqueza da alma, psíquico tesouro. Meus átomos se ufanam de pertencer-te, dor, ancoradouro dos desgraçados.

Morte (com um sorriso de escárnio, se aproxima): Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato. Com os corpúsculos mágicos do tato prendo a orquestra de chamas que executas, minha maior ventura é estar de posse de tuas claridades absolutas. (Bruxa faz menção de tocá-la) não toqueis em minhas faces verdes (ambas recuam), sob pena de sofrerdes a sensação de todas as misérias!

Bruxa (pesadamente, senta-se): transponho ousadamente o átomo rude e, transmudado em rutilância fria, (abre Esterno, ficando em 2ª posição) encho o espaço com a minha plenitude!

Morte (com desdém): Tua cabeça há de cair, defunta, na aterradora operação conjunta da tarefa animal dos organismos! É mister que todo o teu corpo fique reduzido a excreções de sânie e lodo. Como a luz que arde (brinca com a chama de uma vela), virgem, num monturo, tu hás de entrar completamente puro para a circulação do Grande Todo.

Bruxa (com raiva): O amor que da desgraça veio maldito seja, seja como o fardo desta descrença funeral em que ardo e com que o fogo da paixão ateio. Desce para a alma o ocaso da carícia ora em sonhos de dor supremos e ora em contorções supremas de delícias.

Morte: Na canonização emocionante da dor humana, sou maior que Dante, – a águia dos latifúndios florentinos! Sistematizo, soluçando, o Inferno… e trago em mim, num sincronismo eterno a fórmula de todos os destinos.

Bruxa (deitando-se devagar): Psique biforme, feita dos mais variáveis elementos, ceva-se da minha carne, como um corvo. (apaga uma vela) E as trevas moram onde d’agua raso o olhar não trago, (olha para a Morte e acaricia-lhe o rosto) nem me turba a calma a aurora deste amor que é o meu ocaso (morre).

Morte (senta-se de frente para a vela e olhando a plateia): Minha divinatória Arte ultrapassa os séculos efêmeros, é a subversão universal que ameaça a Natureza, são despedaçamentos. A única luz tragicamente acesa da universalidade agonizante (levanta e sai).

para uma cena Expressionista na aula de Interpretação, fiz essa compilação usando 12 poemas de Augusto dos Anjos, com Luciano d’Miguel

17/04/2011

Numa noite calma, uma despedida sofrida, antes corpos quentes juntos, trocando energia, sentindo o calor, a nossa pele se tocando. Um cheiro de “essa noite podia continuar”, um beijo no rosto, um abraço desajeitado, sentir seus cabelos em minhas mãos, suas costas fortes… e para acabar a noite aqueles beijos no meu pescoço.

18/04/2012